Resíduos e Rejeitos Laboratorias

Uma aula experimental de Química, por gerar produtos perigosos, é uma atividade potencialmente poluidora. Para diminuir esse problema, durante seu planejamento, deve-se avaliar e reconhecer os riscos e os perigos dos produtos químicos que serão manuseados, bem como dos resíduos ou rejeitos produzidos durante esta.

Tanto os resíduos quanto os rejeitos “são materiais remanescentes de alguma apropriação, processo ou atividade desenvolvida” (FIGUERÊDO, 2006)

De acordo com Amaral et al. (2001), a diferença entre eles é que o resíduo possui um potencial de uso com ou sem tratamento. Já o rejeito não apresenta possibilidade técnica ou econômica de uso, devendo ser tratado para descarte final.

Minimizando a produção de resíduos

Para eliminar de forma adequada os resíduos de laboratório são necessários pelo menos, algum conhecimento do tipo de produto ou subproduto a ser eliminado. A partir disto, sabendo algumas características químicas do resíduo, pode-se acondicioná-lo em recipientes adequados e descartá-lo de forma segura.

Para a minimização de material residual, segundo Machado e Mól (2008), o professor deverá seguir alguns critérios de utilização racional, segura e ambientalmente adequada de produtos químicos. A teoria dos 4 Rs (Reduzir, Reusar, Reciclar e Recuperar) insere-se perfeitamente nessa proposta para trabalhar Educação Ambiental em aulas de Química. Para minimizar a produção de resíduos químicos, é recomendável:

a) Reduzir fontes geradoras de poluição, diminuindo volumes e concentrações de reagentes químicos;

b) Utilizar reagentes que causem menor impacto ambiental, incluindo a saúde dos indivíduos;

c) Reusar, recuperar e reciclar, sempre que possível, os resíduos químicos, preservando recursos naturais;

d) Planejar a aquisição de produtos químicos em pequenas quantidades, evitando deterioração e acúmulo destes no laboratório, visto que o acúmulo de materiais aumenta os riscos de derramamentos e incêndios;

e) Controlar o estoque de produtos químicos por meio de inventário, suas condições de armazenagem e a integridade de seus rótulos;

f) Evitar a obtenção e o uso de substâncias de elevada toxicidade como, por exemplo, benzeno, tolueno, clorofórmio, formaldeído, tetracloreto de carbono ou sais contendo íons de mercúrio, chumbo, cromo, cádmio, níquel, bário, arsênio, ósmio, cianetos etc.;

g) Não aceitar doações de produtos químicos que não estejam nos planos de utilização e que possam se transformar em resíduos;

h) Doar ou trocar com outras instituições produtos químicos excedentes ou que não estejam mais em uso no laboratório, antes que estes se tornem instáveis, reativos ou até explosivos;

i) Alterar experimentos que não se enquadrem nessa proposta, substituindo reagentes químicos sem prejudicar a compreensão das relações conceituais exploradas.

Produção de Rejeitos

Mesmo seguindo essas recomendações, no laboratório de ensino, sempre há produção de rejeitos que necessitam ser tratados para disposição final. Nesse caso, segundo Machado e Mól (2008), faz-se necessário observar os seguintes procedimentos:

a) Não misturar materiais perigosos com não perigosos (por exemplo: soluções aquosas com resíduos orgânicos, soluções contendo metais tóxicos com aquelas que não os contêm), já que terão destinos diferenciados;

b) Não misturar solventes orgânicos não halogenados com halogenados, visto que poderão ser tratados de formas distintas;

c) Respeitar a incompatibilidade entre resíduos perigosos para não os acondicionar em um mesmo recipiente;

d) Coletar os resíduos em recipientes limpos, compatíveis, em bom estado e com tampas ajustadas adequadamente;

e) Rotular os recipientes conforme seus conteúdos e riscos. Cada rótulo deve indicar claramente: a composição química aproximada, os nomes das substâncias contidas, suas concentrações, seus riscos físicos e para a saúde, a procedência, o nome do responsável pelo laboratório e a data de coleta;

f) Armazenar corretamente os recipientes até o descarte, respeitando possíveis incompatibilidades entre seus conteúdos;

g) Não preencher os recipientes além de 2/3 de suas capacidades, devido à possibilidade de geração de gases, o que acarretaria riscos de derramamento do material;

h) Ao utilizar sacos plásticos como recipientes primários, usar outro recipiente rígido, como plástico ou caixa de papelão, para embalar;

i) Redobrar os cuidados com a segurança dos indivíduos que manuseiam resíduos/rejeitos, utilizando os equipamentos de proteção individual e coletiva imprescindíveis à atividade.

Portanto, caberá ao professor buscar formas de minimizar a quantidade dos resíduos gerados nas aulas experimentais, bem como planejar a recuperação ou o descarte deles. Além disso, é importante que ele debata com seus alunos sobre a necessidade de se dispor corretamente rejeitos perigosos conforme.

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